Enquanto colhia café, Michiko observava suas mãos calejadas e mal pagas. Já estava muito longe do sonho primeiro, da riqueza fácil que encontraria no Brasil. Seus pais, já velhos e cansados, mal conseguiam trabalhar metade do dia. Dos seus quatro irmãos, só restavam dois: Yuichi e Keiko. Os dias passavam e ela nunca encontrava uma saída para tal destino. O quanto sonhara em voltar ao Japão, ou ao menos dar a chance de seus pais voltarem. Perguntava-se sobre os tios que vira duas ou três vezes na vida, estariam vivos?
- Michiko! Michiko! Onde está?
- O que aconteceu, Keiko?
- Nosso pai... Nosso pai está morrendo!
- Morrendo?
Saíram ambas correndo numa espantosa velocidade. O coração de Michiko saltava no peito, dezenas de pensamentos inundavam sua mente, o que restava de todos os sonhos partilhados estava prestes a transformar-se em pó.
Lembrou-se do dia em que seu pai, assustado, carregou-lhe no colo após ter machucado a mão esquerda. Michiko não tinha mais que seis anos, sua família havia acabado de desembarcar no Brasil e ninguém sabia ao certo o que estava para lhes acontecer.
- Sai daí Michiko!
O barulho foi aumentando, aumentando. A mulher ficou presa no chão. Sua mente esvaziou-se, nada mais ouvia nem via. Chegara ao ponto final do sonho de voltar ao Japão. Voltar. Voltar...
Abriu os olhos lentamente, sua vista estava embaçada mas aos poucos voltava a definir os objetos. Quando estava prestes a levantar a cabeça ficou paralisada de susto: percebera, que se encontrava na antiga casa no Japão. Encantou-se ao ver os móveis, o lar simples no qual residira nos primeiros anos de vida. Por mais que de nada daquilo recordasse com clareza, mergulhou nas mais profundas e tenras memórias jamais jogadas fora.
- Ainda! Veja, ela acordou!
- Não grite assim Keiko!
Michiko sentiu os olhos marejando. Suas duas irmãs, Ainda e Keiko, ainda crianças e ao alcance das mãos. Ainda era a mais velha e falecera por causa de uma forte gripe que a derrubara por semanas. Era ainda muito jovem, deixara o marido e a filha para trás.
- Você não fala? Será que está passando mal?
- Está tudo bem agora.
- De onde veio? Nunca te vi aqui por perto.
- Não faça tantas perguntas, Keiko! Deixe-a descansar.
- Já me sinto melhor, só me incomoda o fato de não saber ao certo como cheguei até aqui.
- Descanse um pouco, quem sabe você se lembre. Vou cozinhar algo para comermos.
- Onde estão seus pais?
- Trabalhando, acho. Nosso irmão Yuichi deve estar com o papai, já Michiko...
- A Michiko não consegue largar da mamãe... Ela bem que podia ficar aqui conosco.
- Michiko é nossa irmã mais nova. Chora o dia todo sem a mamãe aqui.
A mulher sorria a cada detalhe que s irmãs relembravam. Memórias de um passado sagrado que os duros dias de trabalho nunca deram tempo de revirar. Michiko cozinhou, cantou, conversou, brincou e riu com Ainda e Keiko, mas em nenhum momento contou quem era: temia quebrar o encanto.
Os pais chegam, bem como Yuichi e a pequena Michiko. Ao defrontar-se tão de repente com sua própria pessoa de apenas quatro anos de idade, deu-se conta de que havia voltado no tempo. Em nenhum outro momento tal pensamento havia ficado tão claro em sua mente.
Ficou um tempo em silêncio, sequer respondia as perguntas que a família fazia. Estava encantada com a beleza daquele casal ainda jovem, seus queridos pais. Yuichi, mais velho que Keiko, já tinha um rosto cansado, mas também bastante esperto.
- Ela estava conversando conosco tão animadamente até agora pouco!
- Que estranho... Será que ela está passando mal?
- Ela disse o nome pelo menos?
- Fu... Meu nome é Michiko.
- Mi... chiko? Qual o seu sobrenome?
- Fukuda... Michiko.
Todos a olharam longamente. A pequena Michiko, depois de um tempo caminhou até a mulher e a abraçou com toda a força que possuía.
- Seu nome é igual ao meu!
- É, isso mesmo. Nossos nomes são iguais.
- Acho que sim, mas não sei dizer como consegui chegar aqui.
- Com quantos anos está agora?
- Trinta e cinco. Estamos todos até hoje morando no Brasil.
- Não conseguimos juntar dinheiro algum?
- Não. Nós todos continuamos trabalhando como loucos para que ao menos os meus filhos e sobrinhos possam estudar tranqüilos.
- Mas então é melhor não sairmos do Japão.
- Não temos mais saída, já está tudo acertado. Nossas últimas economias já foram gastas com a viagem.
- Isso quer dizer que... São nossos últimos dias no Japão sem esperança alguma de voltar?
- Pelo menos não nos próximos trinta anos.
- Michiko, você sabe como voltar para o seu tempo?
- Não. Tudo que me lembro é que estava prestes a morrer quando fui trazida para cá.
- Se não descobrir como voltar até a próxima semana, não quer viajar conosco até o Brasil? Não posso te deixar para trás, afinal é minha filha.
Michiko não conseguiu dormir, ficava pensando se gostaria de voltar ao seu tempo, já que estava vivendo grande felicidade ao lado dos pais e seu passado. A todo instante cheiros, sabores e objetos refrescavam mais suas lembranças, fazendo com que desejasse uma pausa no tempo. Também pensava nas pessoas que havia deixado para trás no Brasil, os três filhos, os irmãos e pais. Como estariam agora? Será que ela morreu e o espírito foi transportado para o passado como forma de atender ao seu último pedido? Atormentada pelos pensamentos, Michiko decide levantar e ir até um templo.
- Finalmente você chegou Michiko.
- Como sabe meu nome?
- Não é qualquer um que consegue realizar tal feito.
- Então já sabe o que me aconteceu.
- Quando acordei essa manhã sabia que viria. O mais interessante é que parou exatamente aonde desejava. Isso é fantástico.
- Como cheguei aqui?
- Não faça tantas perguntas, primeiro olhe o que há em seus bolsos.
- São... Pepitas de ouro!
- E o que você carregava antes consigo?
- Era café!
- Todo o café que você trouxe na sua viagem transformou-se em ouro.
- A bolsa...
- Você saiu tão apressada para ver seu pai que nem deixou a bolsa na qual colocava os grãos de café recém colhidos. Há uma fortuna naquela casa agora, quantia suficiente para que sua família não precise mais voltar ao Brasil.
- Está tudo resolvido então!
- Está? Já perguntou o que aconteceu no seu tempo quando você veio até aqui?
- O que aconteceu?
- No instante em que você saltou no tempo, tudo ficou parado. Está até agora assim, só aguardando a sua decisão.
- Então existe uma maneira de voltar?
- Não exatamente. Tudo o que sei é que tem que decidir se dará ou não todo o ouro que trouxe para a sua família. Infelizmente não poderei dizer ao certo o que acontecerá. Pode ser que, mesmo que consiga mudar, toda a história da sua família tenha mudado, uma vez que você atravessou a barreira do tempo. O único fato no qual você pode interferir diretamente é na ida ou não da sua família ao Brasil.
A mulher decidiu não contar para ninguém sobre a conversa com o monge nem sobre o ouro que carregava consigo. Apesar de questionada pelos familiares tentava desconversar e aproveitava para contar qualquer coisa maravilhosa sobre a terra distante. Michiko passou seis dias maravilhosos ao lado das pessoas que mais amava no mundo e aos poucos foi esquecendo a vida no Brasil. Foi apagando filhos, marido, tristeza e alegrias de sua memória, restando apenas o essencial em sua alma: o desejo de fazer com que sua família fosse feliz. A decisão já estava tomada. Contou sobre o ouro que tinha consigo e pediu para que não viajassem ao Brasil. Chorando muito, Michiko se despediu de sua família e dirigiu-se ao templo.
- Sabe bem o que está fazendo?
- Sei. Nada será como antes mesmo que eu queira, então é melhor que fiquemos todos aqui no Japão.
- Sua vida inteira mudará, não tem medo do que pode acontecer?
- Não sinto mais medo de nada. Só quero a felicidade para a minha família.
- Como pode afirmar com tanta certeza de que ficar no Japão será a garantia da felicidade de todos vocês?
- Todos sofremos muito naquele lugar, isso ficou claro para mim. Se posso mudar o curso do destino, prefiro que fiquemos aqui.
- Acontecerão coisas que você não poderá controlar. A única chance que você tem de mudar as coisas é agora.
- Tem certeza de que é minha única chance?
- Não, mas você deve se portar como se fosse. Michiko, as pessoas não são marionetes que você pode controlar como quiser.
- Se eu saltei o tempo uma vez, certamente conseguirei de novo.
- Mesmo que você mude o curso das coisas, ainda sim existe algo destinado para cada um de nós e não há como escapar disso. A partir do momento que você ultrapassar os portões desse templo, irá saltar novamente para o seu tempo. Não sou capaz de precisar onde você estará, mas nunca se esqueça que será um caminho sem volta.
Convicta da decisão, Michiko caminha lentamente em direção ao portão. Seu coração estava embriagado pela saudade da família e lembranças confusas. Ao olhar para fora, começou a notar que a paisagem ia mudando aos poucos e teve um leve receio de continuar a caminhada. Quando ameaçou diminuir a velocidade dos passos foi sugada para fora do templo com tal força que desmaiou.
Ao acordar notou que estava rodeada de lindas mulheres, todas maquiadas e com cabelos arrumados. Levantou apressadamente, correu até um espelho e percebeu que o rosto estava pintado como o de uma gueixa. Lembrou que, ainda pequena, fora vendida pelos pais em troca de uma bolsa cheia de ouro.
Milena Silva (proposta de criação de conto fantástico)
domingo, 24 de maio de 2009
DEPOIS DAS 1001 NOITES, MAIS UMA
Mogiana, dada por esposa ao sobrinho de Ali Babá, tornou-se infeliz e desperdiça seu tempo com quimeras. O filho que teve é a sua única alegria, Seu marido , o jovem Assan Babá, é taciturno e também infeliz. Passa seu tempo enfiado nas suas lojas cuidando das riquezas da família, não tem tempo para agradar Morgiana e nem acarinhar o pequeno Hakin.
Ali Babá, sempre esteve a par das tristezas da bela Morgiana, e sabe bem porque ela é triste, Assan tem o amor da bela Mogiana, amor de mãe para filho, pois foi ela quem o amamentou, por isso jamais poderiam viver uma paixão ou mesmo um amor conjugal que os realizasse. Ali Babá, certo dia encontrando a ex escrava e executora dos quarenta ladrões, a passear com Hakin , no jardim de tâmaras, encheu-se de compaixão pela falta de brilho no olhar de Mogiana e perguntou a ela:
- Mogiana , bela mulher e insubstituível amiga e protetora , que posso fazer para que o antigo brilho dos seus olhos reapareça vivas como outrora? Ao que ela respondeu:
- Ali meu antigo amo! Só a liberdade me será favorável pois o amor que dedico a Assan é de mãe. Como pode me desejar! Só Alá pode me livrar desse infortúnio. Ali Babá procura descobrir alguma maneira de alegrar a amiga pois jamais esqueceu as ações da escrava nos acontecimentos da tentativa de assassinato pelo chefe dos ladrões. Um dia acordou cedo e procurou Assan e pediu a ele permição para levar Mogiana e Hakim para um passeio que duraria o dia todo. Assan consentiu. Mogiana fica muito feliz com a idéia e deixa tudo preparado para o dia seguinte. O pequeno Hakin, reclamou de sair para passear sem a presença do pai. Dirigiram-se para o antigo esconderijo dos ladrões. Mogiana, já conhecia as palavras mágicas, pois Ali Babá já a havia levado até o tesouro várias vezes. Ali Babá ordena!
- ABRE-TE SÉZAMO!
E adentram os três. Sempre que estivera no rochedo fora com muita pressa, pois sempre existiu o receio que alguém pudesse estar por perto e descobrir o segredo das palavras mágicas. Mas desta vez Ali babá , que já esta em idade de descansar das preocupações da vida, deixa Mogiana muito admirada e apreensiva com as palavras que lhe dirige quase que em silêncio para não despertar o interesse de Hakin, que apesar de ainda ser pequenino, está estupefacto com as riquezas que tem ante seus olhos.
- Mogiana, Doravante serás a depositária de minha confiança, serás a dona das palavras mágicas! Serás só tu quem poderás proferi-las e adentrar ao interior do rochedo. Só tu poderás colocar as mãos e retirar daqui qualquer objeto, ou qualquer valor. Pois melhor que ninguém sabes julgar as situações e os valores das mesmas . Mogiana aceita a responsabilidade, porém, detém seu olhar sobre Hakin e preocupa-se com seu futuro. Dirige-se a Ali Babá e implora:
- Pela confiança que tenho em ti Ali Babá, entrego-te o futuro de Hakin, visto que Assan Babá ignora, para seu próprio bem e de Hakin, tanto os tesouros , quanto os perigos que nos cercam. Depois de todas as decisões e considerações tomadas, Mogiana finalmente realiza um antigo desejo: examinar tudo aquilo que se encontra no interior do rochedo. Ali Babá fica embevecido ante a curiosidade de Mogiana. Dentro de um cântaro antigo ela encontra um pergaminho ainda mais antigo, uma flauta e um jarrinho que deveria conter algum liquido que deixou vestígios, pois evaporou. Num pequeno baú, colares de pedras negras e de madeiras, de aparência nada valiosa, porque então ali? Sacos de couro de crocodilos com pérolas perfeitas, garrafas com licores desconhecidos, óleos perfumados, moedas e vinhos de todos os lugares do mundo conhecido , com a permissão de Alá, trajes estranhos, riquíssimas porcelanas decoradas a ouro,belíssimas jóias, adagas , lâmpadas, arcos com flechas envenenadas de todos os tipos e formatos, tecidos , plumas , e uma infinidade de vasos e cântaros fechados de maneira a conservar melhor seus conteúdos ... Mogiana , encantada com tanto conhecimento e poder que terá em suas mãos a partir desse dia , e já cansada , dirige-se a o amigo:
- Ali Babá ! Já se faz tarde! Devemos voltar à casa!
- Você é quem manda Mogiana! Ela apressa-se em sair do rochedo para examinar as redondezas e certificar-se de que não há viva alma por ali, pois agora a segurança do rochedo esta sob sua responsabilidade. Ali e Hakin , saem e Mogiana ordena:
- FECHA-TE SÉZAMO!
E tudo volta a ser como era antes das palavras mágicas. Naquela noite Mogiana tem idéias que a deixaram radiante! No dia seguinte começa a pô-las em prática. Vai em visita às lojas de seus amigos, convida as famílias de boa reputação de toda a cidade e das cidades vizinhas para uma grande festa! Quando chega o dia da festa explica para Assam seus planos.
- Querido Assan! Tenho para ti grande carinho e afeição, sei que o mesmo tu me dedicas... Mas sei também que nem tu , nem eu somos felizes... Tu és um homem bom, justo e muito rico, mereces ter muitas esposas e uma grande prole Essa festa que organizei para nossos amigos é unicamente para que conheças muitas moças belas e de boa índole. E assim possas encontrar algumas mulheres interessantes que possam te agradar e tomá-las por esposas! Assan, concordou, desde que Mogiana sempre ficasse a seu lado. Ao que ela lhe respondeu:
- Já não sou uma mulher tão jovem, sempre trabalhei muito! Tenho-te um grande apresso, pois és um homem justo. Mas quero que compreendas meu desejo de voltar a viver livre! E ainda mais um pedido: Hakin deve ser , enquanto possível, protegido por Ali Babá que é um sábio e tem muitos ensinamentos e também tempo para passá-los ao nosso querido Hakin. Te prometo que muito virei visitá-los e levar Hakin para conhecer meu mundo! Assan concede a liberdade a Mogiana, que o abençoa com desejos de que Assan tenha muitos filhos e lhes ensine a justiça , a honestidade e a prosperidade.
Ali Babá vê enfim o olhar da bela e esperta Mogiana brilhar novamente!
II Capítulo
Na sua tarefa de conhecer o conteúdo verdadeiro do interior do rochedo Manara , ‘ passa seu tempo a vasculhar cada pote, saco ou baú que se encontra no interior do rochedo. Tenta decifrar os segredos de cada peça ali depositada e agora sob sua guarda. O que a atormenta muito , pois sabe que ali esta o fruto de muitas vidas ceifadas pela cobiça e violência de homens desprovidos de qualquer piedade ou compaixão por seus semelhantes.
Ali Babá , respira aliviado e passa a vida mais tranqüilo em sua casa na companhia de suas esposas e de Hakin que é muito curioso.
Manara, novo nome de Mogiana,tornou-se ausente e ter noticias dela só através de Ali Babá, anda tão ocupada com tanta novidade, que nada a tira do rochedo; Encontrou cadáveres em grandes potes de cerâmica ossos de vários tamanhos e idades guardados em vasos ocultos sob pilhas de sacos de couro de crocodilo num outro lado encontrou uma arpa enorme um cajado de madeira muito dura e antiga, uma cítara com inscrições que a fizeram suspeitar pertencer ao rei Salomão. Também tesouros e a coroa da rainha de Sabá, vasos egípcios e gregos, pergaminhos com planos de batalhas pertencentes ao grande Alexandre da Pérsia. Tapetes mágicos em todo canto, tecidos de tramas estranhas e estampas maravilhosas, sedas lãns. Baús cheios de espadas e adagas de vários tipos e tamanhos forjadas com metais estranhos e ricamente guarnecidas com ouro ou prata e pedras preciosas. Peles , arreios para camelos e cavalos ... Muito tempo levará Manara para conhecer todos os artigos que estão no interior do rochedo. Mas tem tido bastante atenção para com sacos de pele, que estão empilhados num dos nichos, como que cuidados com especial atenção; são sementes, bem embaladas e colocadas em lugar especifico para que se conservem por muito tempo. Manara chega a uma conclusão: Não é dela a responsabilidade de dar um fim àquele tesouro imenso, apenas de velar para que não seja usurpado por ambição e avareza. Afinal, se estão ali aqueles objetos , de alguma maneira estão protegidos, e se estivessem nas mãos de pessoas, mesmo que seus proprietários legítimos ainda estariam sendo motivo de grande ganância e cobiça, causando mais mortes pelo longo do tempo. Hakin sempre esta presente em seus pensamentos e o temor a assalta quando lembra que ele , mesmo sendo uma criança esteve dentro do rochedo.
Em outro canto encontrou artigos femeninos! Véus, tiaras, braceletes, mais jóias , tapetes aparadores com bandejas cheias de passas, tâmaras e figos secos, como que servindo um banquete sensual, sobre um grande e suntuoso tapete um naguilé real preparado para uso com os melhores perfumes . Almofadas, cortinas e muitos véus. Véus normalmente usados pelas odaliscas nas danças do ventre ou dos sete véus, penas, maravilhosas penas douradas, enfiadas nos trajes mais bonitos que ali se achavam espalhados pelo chão. Manara , jamais imaginara que pudesse existir algum pássaro com semelhantes penas e de tão grande porte, como sugeriam as penas. Deu-se ao prazer de ornamentar-se com o mais belo traje ali existente, lentamente foi colocando sobre seu corpo, peça por peça, véu por véu, pulseiras, tornozeleiras , colares, perfumes, anéis... Pés descalços , ensaia alguns passos de dança, senta-se sobre uma enorme almofada e começa a trançar seus longos cabelos. Descobre entre os véus espalhados pelo chão, um pequenino véu de cobrir o rosto. Examina-o com bastante calma, seus olhos brilham ainda mais quando percebe a estampa de um grande e magnífico pássaro, bordada a fios de ouro, com muita delicadeza , perfeição e detalhes dando a idéia de um ser mágico e poderoso! Imediatamente, Manara, associa o pássaro às penas douradas ali espalhadas acreditando que ele também faz parte dos tesouros do rochedo. Coloca o pequeno véu sobre seu rosto. Sente uma leve brisa que vai aumentando e rapidamente torna-se um vento poderoso e tudo começa a soltar a poeira acumulada pelo passar do tempo. Manara, silenciosa e possuída de medo, oculta-se num canto e vê o grande pássaro pousar junto dela com pose de submição. A esperta mulher entende a mensagem do pássaro . Aprocima-se dele com carinho e respeito. Agara-se ao pescoço da ave e monta sobre seu potente dorso, sua longa trança mistura-se às penas da ave. Quando sente-se segura e confortável aperta suas pernas sob as asas da ave que levanta súbito vôo em direção às paredes da rocha.
--- ABRE-TE SÉZAMO! Grita Manara assustada. E saem ganhando o céu noturno! Nessa noite os céus do Oriente receberam a figura mais bela e apaixonante que Alá permite aos homens vislunbrarem antes de enlouquecerem de paixão pela mulher que voa pelos céus !
Sherazade nesse instante demonstra grande alegria ! A imagem de Manara voando livre nos céus do Oriente, mais bela do que nunca, parece sair de seu próprio desejo.
O Emir emociona-se com tamanha imaginação e declara Sherazade, “Rainha”. Mesmo porque ela já esta na sua segunda gestação. Sendo que na primeira nasceu a linda e graciosa Yasmim! Que cresce cheia de beleza e sabedoria!
Stela Siebeneichler (sequência imaginária do conto "Ali Baba e os quarenta ladrões", no estudo do livro "As Mil e Uma Noites")
Ali Babá, sempre esteve a par das tristezas da bela Morgiana, e sabe bem porque ela é triste, Assan tem o amor da bela Mogiana, amor de mãe para filho, pois foi ela quem o amamentou, por isso jamais poderiam viver uma paixão ou mesmo um amor conjugal que os realizasse. Ali Babá, certo dia encontrando a ex escrava e executora dos quarenta ladrões, a passear com Hakin , no jardim de tâmaras, encheu-se de compaixão pela falta de brilho no olhar de Mogiana e perguntou a ela:
- Mogiana , bela mulher e insubstituível amiga e protetora , que posso fazer para que o antigo brilho dos seus olhos reapareça vivas como outrora? Ao que ela respondeu:
- Ali meu antigo amo! Só a liberdade me será favorável pois o amor que dedico a Assan é de mãe. Como pode me desejar! Só Alá pode me livrar desse infortúnio. Ali Babá procura descobrir alguma maneira de alegrar a amiga pois jamais esqueceu as ações da escrava nos acontecimentos da tentativa de assassinato pelo chefe dos ladrões. Um dia acordou cedo e procurou Assan e pediu a ele permição para levar Mogiana e Hakim para um passeio que duraria o dia todo. Assan consentiu. Mogiana fica muito feliz com a idéia e deixa tudo preparado para o dia seguinte. O pequeno Hakin, reclamou de sair para passear sem a presença do pai. Dirigiram-se para o antigo esconderijo dos ladrões. Mogiana, já conhecia as palavras mágicas, pois Ali Babá já a havia levado até o tesouro várias vezes. Ali Babá ordena!
- ABRE-TE SÉZAMO!
E adentram os três. Sempre que estivera no rochedo fora com muita pressa, pois sempre existiu o receio que alguém pudesse estar por perto e descobrir o segredo das palavras mágicas. Mas desta vez Ali babá , que já esta em idade de descansar das preocupações da vida, deixa Mogiana muito admirada e apreensiva com as palavras que lhe dirige quase que em silêncio para não despertar o interesse de Hakin, que apesar de ainda ser pequenino, está estupefacto com as riquezas que tem ante seus olhos.
- Mogiana, Doravante serás a depositária de minha confiança, serás a dona das palavras mágicas! Serás só tu quem poderás proferi-las e adentrar ao interior do rochedo. Só tu poderás colocar as mãos e retirar daqui qualquer objeto, ou qualquer valor. Pois melhor que ninguém sabes julgar as situações e os valores das mesmas . Mogiana aceita a responsabilidade, porém, detém seu olhar sobre Hakin e preocupa-se com seu futuro. Dirige-se a Ali Babá e implora:
- Pela confiança que tenho em ti Ali Babá, entrego-te o futuro de Hakin, visto que Assan Babá ignora, para seu próprio bem e de Hakin, tanto os tesouros , quanto os perigos que nos cercam. Depois de todas as decisões e considerações tomadas, Mogiana finalmente realiza um antigo desejo: examinar tudo aquilo que se encontra no interior do rochedo. Ali Babá fica embevecido ante a curiosidade de Mogiana. Dentro de um cântaro antigo ela encontra um pergaminho ainda mais antigo, uma flauta e um jarrinho que deveria conter algum liquido que deixou vestígios, pois evaporou. Num pequeno baú, colares de pedras negras e de madeiras, de aparência nada valiosa, porque então ali? Sacos de couro de crocodilos com pérolas perfeitas, garrafas com licores desconhecidos, óleos perfumados, moedas e vinhos de todos os lugares do mundo conhecido , com a permissão de Alá, trajes estranhos, riquíssimas porcelanas decoradas a ouro,belíssimas jóias, adagas , lâmpadas, arcos com flechas envenenadas de todos os tipos e formatos, tecidos , plumas , e uma infinidade de vasos e cântaros fechados de maneira a conservar melhor seus conteúdos ... Mogiana , encantada com tanto conhecimento e poder que terá em suas mãos a partir desse dia , e já cansada , dirige-se a o amigo:
- Ali Babá ! Já se faz tarde! Devemos voltar à casa!
- Você é quem manda Mogiana! Ela apressa-se em sair do rochedo para examinar as redondezas e certificar-se de que não há viva alma por ali, pois agora a segurança do rochedo esta sob sua responsabilidade. Ali e Hakin , saem e Mogiana ordena:
- FECHA-TE SÉZAMO!
E tudo volta a ser como era antes das palavras mágicas. Naquela noite Mogiana tem idéias que a deixaram radiante! No dia seguinte começa a pô-las em prática. Vai em visita às lojas de seus amigos, convida as famílias de boa reputação de toda a cidade e das cidades vizinhas para uma grande festa! Quando chega o dia da festa explica para Assam seus planos.
- Querido Assan! Tenho para ti grande carinho e afeição, sei que o mesmo tu me dedicas... Mas sei também que nem tu , nem eu somos felizes... Tu és um homem bom, justo e muito rico, mereces ter muitas esposas e uma grande prole Essa festa que organizei para nossos amigos é unicamente para que conheças muitas moças belas e de boa índole. E assim possas encontrar algumas mulheres interessantes que possam te agradar e tomá-las por esposas! Assan, concordou, desde que Mogiana sempre ficasse a seu lado. Ao que ela lhe respondeu:
- Já não sou uma mulher tão jovem, sempre trabalhei muito! Tenho-te um grande apresso, pois és um homem justo. Mas quero que compreendas meu desejo de voltar a viver livre! E ainda mais um pedido: Hakin deve ser , enquanto possível, protegido por Ali Babá que é um sábio e tem muitos ensinamentos e também tempo para passá-los ao nosso querido Hakin. Te prometo que muito virei visitá-los e levar Hakin para conhecer meu mundo! Assan concede a liberdade a Mogiana, que o abençoa com desejos de que Assan tenha muitos filhos e lhes ensine a justiça , a honestidade e a prosperidade.
Ali Babá vê enfim o olhar da bela e esperta Mogiana brilhar novamente!
II Capítulo
Na sua tarefa de conhecer o conteúdo verdadeiro do interior do rochedo Manara , ‘ passa seu tempo a vasculhar cada pote, saco ou baú que se encontra no interior do rochedo. Tenta decifrar os segredos de cada peça ali depositada e agora sob sua guarda. O que a atormenta muito , pois sabe que ali esta o fruto de muitas vidas ceifadas pela cobiça e violência de homens desprovidos de qualquer piedade ou compaixão por seus semelhantes.
Ali Babá , respira aliviado e passa a vida mais tranqüilo em sua casa na companhia de suas esposas e de Hakin que é muito curioso.
Manara, novo nome de Mogiana,tornou-se ausente e ter noticias dela só através de Ali Babá, anda tão ocupada com tanta novidade, que nada a tira do rochedo; Encontrou cadáveres em grandes potes de cerâmica ossos de vários tamanhos e idades guardados em vasos ocultos sob pilhas de sacos de couro de crocodilo num outro lado encontrou uma arpa enorme um cajado de madeira muito dura e antiga, uma cítara com inscrições que a fizeram suspeitar pertencer ao rei Salomão. Também tesouros e a coroa da rainha de Sabá, vasos egípcios e gregos, pergaminhos com planos de batalhas pertencentes ao grande Alexandre da Pérsia. Tapetes mágicos em todo canto, tecidos de tramas estranhas e estampas maravilhosas, sedas lãns. Baús cheios de espadas e adagas de vários tipos e tamanhos forjadas com metais estranhos e ricamente guarnecidas com ouro ou prata e pedras preciosas. Peles , arreios para camelos e cavalos ... Muito tempo levará Manara para conhecer todos os artigos que estão no interior do rochedo. Mas tem tido bastante atenção para com sacos de pele, que estão empilhados num dos nichos, como que cuidados com especial atenção; são sementes, bem embaladas e colocadas em lugar especifico para que se conservem por muito tempo. Manara chega a uma conclusão: Não é dela a responsabilidade de dar um fim àquele tesouro imenso, apenas de velar para que não seja usurpado por ambição e avareza. Afinal, se estão ali aqueles objetos , de alguma maneira estão protegidos, e se estivessem nas mãos de pessoas, mesmo que seus proprietários legítimos ainda estariam sendo motivo de grande ganância e cobiça, causando mais mortes pelo longo do tempo. Hakin sempre esta presente em seus pensamentos e o temor a assalta quando lembra que ele , mesmo sendo uma criança esteve dentro do rochedo.
Em outro canto encontrou artigos femeninos! Véus, tiaras, braceletes, mais jóias , tapetes aparadores com bandejas cheias de passas, tâmaras e figos secos, como que servindo um banquete sensual, sobre um grande e suntuoso tapete um naguilé real preparado para uso com os melhores perfumes . Almofadas, cortinas e muitos véus. Véus normalmente usados pelas odaliscas nas danças do ventre ou dos sete véus, penas, maravilhosas penas douradas, enfiadas nos trajes mais bonitos que ali se achavam espalhados pelo chão. Manara , jamais imaginara que pudesse existir algum pássaro com semelhantes penas e de tão grande porte, como sugeriam as penas. Deu-se ao prazer de ornamentar-se com o mais belo traje ali existente, lentamente foi colocando sobre seu corpo, peça por peça, véu por véu, pulseiras, tornozeleiras , colares, perfumes, anéis... Pés descalços , ensaia alguns passos de dança, senta-se sobre uma enorme almofada e começa a trançar seus longos cabelos. Descobre entre os véus espalhados pelo chão, um pequenino véu de cobrir o rosto. Examina-o com bastante calma, seus olhos brilham ainda mais quando percebe a estampa de um grande e magnífico pássaro, bordada a fios de ouro, com muita delicadeza , perfeição e detalhes dando a idéia de um ser mágico e poderoso! Imediatamente, Manara, associa o pássaro às penas douradas ali espalhadas acreditando que ele também faz parte dos tesouros do rochedo. Coloca o pequeno véu sobre seu rosto. Sente uma leve brisa que vai aumentando e rapidamente torna-se um vento poderoso e tudo começa a soltar a poeira acumulada pelo passar do tempo. Manara, silenciosa e possuída de medo, oculta-se num canto e vê o grande pássaro pousar junto dela com pose de submição. A esperta mulher entende a mensagem do pássaro . Aprocima-se dele com carinho e respeito. Agara-se ao pescoço da ave e monta sobre seu potente dorso, sua longa trança mistura-se às penas da ave. Quando sente-se segura e confortável aperta suas pernas sob as asas da ave que levanta súbito vôo em direção às paredes da rocha.
--- ABRE-TE SÉZAMO! Grita Manara assustada. E saem ganhando o céu noturno! Nessa noite os céus do Oriente receberam a figura mais bela e apaixonante que Alá permite aos homens vislunbrarem antes de enlouquecerem de paixão pela mulher que voa pelos céus !
Sherazade nesse instante demonstra grande alegria ! A imagem de Manara voando livre nos céus do Oriente, mais bela do que nunca, parece sair de seu próprio desejo.
O Emir emociona-se com tamanha imaginação e declara Sherazade, “Rainha”. Mesmo porque ela já esta na sua segunda gestação. Sendo que na primeira nasceu a linda e graciosa Yasmim! Que cresce cheia de beleza e sabedoria!
Stela Siebeneichler (sequência imaginária do conto "Ali Baba e os quarenta ladrões", no estudo do livro "As Mil e Uma Noites")
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Stela Siebeneichler
SABEDORIA
Se eu pudesse escrever
O perfume das flores,
O cheiro da terra fresca
Remexida no quintal
Terra nova de composteira.
Se eu pudesse escrever
A energia vital
Da terra molhada de chuva
Carregada de histórias
De flores, galhos, folhas, frutos.
De sangue , carne , ossos...
Que cumpriram seus ciclos
E dormem no húmus,
No cheiro da terra,
“Garota tímida”,
Que carrega em si a natureza.
Se eu pudesse escrever
O verde, o ocre, o olor, o sabor
Que essa terra virgem contém,
Seria , quem sabe,
Um tantinho sábia, para saber que
Vida eterna, é essa, que se encontra
Sempre jovem , na terra.
Stela Siebeneichler
O perfume das flores,
O cheiro da terra fresca
Remexida no quintal
Terra nova de composteira.
Se eu pudesse escrever
A energia vital
Da terra molhada de chuva
Carregada de histórias
De flores, galhos, folhas, frutos.
De sangue , carne , ossos...
Que cumpriram seus ciclos
E dormem no húmus,
No cheiro da terra,
“Garota tímida”,
Que carrega em si a natureza.
Se eu pudesse escrever
O verde, o ocre, o olor, o sabor
Que essa terra virgem contém,
Seria , quem sabe,
Um tantinho sábia, para saber que
Vida eterna, é essa, que se encontra
Sempre jovem , na terra.
Stela Siebeneichler
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
A escolha da Ratinha Linda (versão de O Casamento da Ratinha)
No sótão de um velho sobrado, construído num daqueles conjuntos habitacionais populares, vivia uma família de ratinhos: o pai, a mãe e uma filha, ratinha muito linda. Bem jovem, a Ratinha Linda, era esse o seu nome, não tinha preocupações em sua vida. Vivia correndo no telhado do sobrado de um lado para o outro, vendo tudo o que acontecia lá embaixo. A Ratinha Linda , mesmo sendo muito jovem, já estava em idade de se casar. As ratinhas se casam muito cedo mesmo e seus pais já estão ficando preocupados com a solteirice de uma ratinha tão bela como era a Linda.
--- Mãe Rata, diz o Pai Ratinho , você não acha que devemos encontrar um noivo muito forte , importante, poderoso e rico para casar com a nossa filha e lhe dar uma vida boa e importante, igual de uma princesa , que ela merece?
--- Sim, concorda a Mãe Ratinha, é claro que sim! E saíram a procura do ser poderoso, importante, rico e forte para noivar com a Ratinha Linda.
Começaram a procura visitando um castelo, o castelo do Conde Frankstein. Pois lá tem um laboratório e em laboratórios se encontram muitos ratos fortes, bem alimentados, com super poderes. Poderia estar lá esse ser extraordinário merecedor da mão da Ratinha Linda. E de fato lá encontraram o ratinho de laboratório. Contaram a ele o quanto era bela a Ratinha Linda e que estava na idade de se casar. O ratinho de laboratório interessou-se muito em conhecer tão linda ratinha e de pronto aceitou o convite para um jantar no sobrado. Seguiram em frente e numa loja de artigos importados da Índia, encontram dentro de uma gaiola de ouro , um ratinho da índia fazendo seus exercícios costumeiros, o acharam muito forte, e lhe falaram da Ratinha Linda, que está em idade de casar. O ratinho da índia ficou feliz com a oportunidade de conhecê-la e aceitou rapidamente ao convite para jantar no sobrado. Mas os pais da Ratinha Linda, ainda não satisfeitos continuaram a procurar por um rato muito importante, no centro da cidade. Entraram num palacete e encontraram na sala um lindo ratinho branco de estimação que brincava no ombro de um menino , filho do dono do palacete. Ficaram admirados com a importância de um ratinho que tem amizade com humanos e lhe contaram sobre a beleza da Ratinha Linda. Ele achou que ela seria uma bela companheira para as brincadeiras na sala e rapidamente aceitou ao convite para o jantar no sobrado.
Encontrar noivos com tantas qualidades não é tarefa fácil e os pais da Ratinha Linda já estavam contentes com os três pretendentes que encontraram, seguiram o caminho de casa e iniciaram os preparativos para o jantar que aconteceria no final da semana, no sobrado . E enquanto a noite do jantar não chegava, passavam o tempo falando à Ratinha Linda, sobre as qualidades dos pretendentes escolhidos .
Chegado o dia do tal jantar, a mãe achou que a Ratinha Linda não estava nem um pouco preocupada com a escolha que deveria fazer logo mais à noite. E lhe perguntou:
--- Ratinha Linda, você já decidiu qual dos ilustres candidatos vai escolher para ser teu marido? Ao que a Ratinha Linda respondeu:
--- Já Mãe, já escolhi sim. O rato mais rico, importante, forte, poderoso, jovem e romântico que vocês poderiam apresentar para mim! A mãe estranhou as qualidades que ela e o pai não haviam procurado nos pretendentes mas que Ratinha Linda havia descrito no escolhido. Quando a noite chegou os pretendentes foram entrando, um a um, e a sala ficou pequena para convidados tão importantes. O rato de laboratório ficou de queixo caído com a beleza da Ratinha Linda. O ratinho da índia, corria pela sala como se estivesse se exercitando em sua gaiola dourada, dizendo : HI HI HI ! . O rato branco de estimação disse que a Ratinha Linda seria a mais bela ratinha do palacete! O pai e a mãe, não cabiam em si de contentes.
Chegou a hora da escolha. Todos olhavam para Ratinha Linda, ansiosos esperando sua decisão . Finalmente a Ratinha Linda , realmente muito linda no seu vestidinho de seda rosa, com miosótis azuis entre suas orelhinhas pequeninas, um bonito laço de cetim na cintura e cheirando à flor de laranjeiras , tomou a palavra, dirigindo-se aos seus pais:
--- Meu pai, minha mãe. Eu sei que o rato de laboratório é muito poderoso, que o rato da Índia é muito forte e que o ratinho de estimação é bem importante. Mas as qualidades estão separadas em cada um deles. E eu já decidi que vou me casar com o Ratinho Ligeirinho, ele é aquele ratinho esperto, ligeiro, que conhece todas as manhas do gato, que sabe onde tem comida e que gosta de passear comigo todas as noites no telhado. É aquele ratinho que mora debaixo do assoalho da cozinha do sobrado ao lado . É com ele que me caso. Os convidados torceram os narizes com seus bigodinhos e lamentaram a má sorte. Afinal uma ratinha tão linda e tão esperta e sabida ao mesmo tempo, não se encontra fácil procurando marido.
--- Elas sempre tem pretendentes a sua escolha, disse o rato de laboratório, enquanto saía cabisbaixo do sótão seguido silenciosamente pelo ratinho da Índia e o ratinho de estimação .
Os pais, apesar de perderem a pose com a escolha da filha, ficaram felizes por saber que a Ratinha Linda, terá sempre, boa vida, segurança , fartura e alegria com o seu jovem , previdente e romântico Ligeirinho.
Stela L. Siebeneichler
--- Mãe Rata, diz o Pai Ratinho , você não acha que devemos encontrar um noivo muito forte , importante, poderoso e rico para casar com a nossa filha e lhe dar uma vida boa e importante, igual de uma princesa , que ela merece?
--- Sim, concorda a Mãe Ratinha, é claro que sim! E saíram a procura do ser poderoso, importante, rico e forte para noivar com a Ratinha Linda.
Começaram a procura visitando um castelo, o castelo do Conde Frankstein. Pois lá tem um laboratório e em laboratórios se encontram muitos ratos fortes, bem alimentados, com super poderes. Poderia estar lá esse ser extraordinário merecedor da mão da Ratinha Linda. E de fato lá encontraram o ratinho de laboratório. Contaram a ele o quanto era bela a Ratinha Linda e que estava na idade de se casar. O ratinho de laboratório interessou-se muito em conhecer tão linda ratinha e de pronto aceitou o convite para um jantar no sobrado. Seguiram em frente e numa loja de artigos importados da Índia, encontram dentro de uma gaiola de ouro , um ratinho da índia fazendo seus exercícios costumeiros, o acharam muito forte, e lhe falaram da Ratinha Linda, que está em idade de casar. O ratinho da índia ficou feliz com a oportunidade de conhecê-la e aceitou rapidamente ao convite para jantar no sobrado. Mas os pais da Ratinha Linda, ainda não satisfeitos continuaram a procurar por um rato muito importante, no centro da cidade. Entraram num palacete e encontraram na sala um lindo ratinho branco de estimação que brincava no ombro de um menino , filho do dono do palacete. Ficaram admirados com a importância de um ratinho que tem amizade com humanos e lhe contaram sobre a beleza da Ratinha Linda. Ele achou que ela seria uma bela companheira para as brincadeiras na sala e rapidamente aceitou ao convite para o jantar no sobrado.
Encontrar noivos com tantas qualidades não é tarefa fácil e os pais da Ratinha Linda já estavam contentes com os três pretendentes que encontraram, seguiram o caminho de casa e iniciaram os preparativos para o jantar que aconteceria no final da semana, no sobrado . E enquanto a noite do jantar não chegava, passavam o tempo falando à Ratinha Linda, sobre as qualidades dos pretendentes escolhidos .
Chegado o dia do tal jantar, a mãe achou que a Ratinha Linda não estava nem um pouco preocupada com a escolha que deveria fazer logo mais à noite. E lhe perguntou:
--- Ratinha Linda, você já decidiu qual dos ilustres candidatos vai escolher para ser teu marido? Ao que a Ratinha Linda respondeu:
--- Já Mãe, já escolhi sim. O rato mais rico, importante, forte, poderoso, jovem e romântico que vocês poderiam apresentar para mim! A mãe estranhou as qualidades que ela e o pai não haviam procurado nos pretendentes mas que Ratinha Linda havia descrito no escolhido. Quando a noite chegou os pretendentes foram entrando, um a um, e a sala ficou pequena para convidados tão importantes. O rato de laboratório ficou de queixo caído com a beleza da Ratinha Linda. O ratinho da índia, corria pela sala como se estivesse se exercitando em sua gaiola dourada, dizendo : HI HI HI ! . O rato branco de estimação disse que a Ratinha Linda seria a mais bela ratinha do palacete! O pai e a mãe, não cabiam em si de contentes.
Chegou a hora da escolha. Todos olhavam para Ratinha Linda, ansiosos esperando sua decisão . Finalmente a Ratinha Linda , realmente muito linda no seu vestidinho de seda rosa, com miosótis azuis entre suas orelhinhas pequeninas, um bonito laço de cetim na cintura e cheirando à flor de laranjeiras , tomou a palavra, dirigindo-se aos seus pais:
--- Meu pai, minha mãe. Eu sei que o rato de laboratório é muito poderoso, que o rato da Índia é muito forte e que o ratinho de estimação é bem importante. Mas as qualidades estão separadas em cada um deles. E eu já decidi que vou me casar com o Ratinho Ligeirinho, ele é aquele ratinho esperto, ligeiro, que conhece todas as manhas do gato, que sabe onde tem comida e que gosta de passear comigo todas as noites no telhado. É aquele ratinho que mora debaixo do assoalho da cozinha do sobrado ao lado . É com ele que me caso. Os convidados torceram os narizes com seus bigodinhos e lamentaram a má sorte. Afinal uma ratinha tão linda e tão esperta e sabida ao mesmo tempo, não se encontra fácil procurando marido.
--- Elas sempre tem pretendentes a sua escolha, disse o rato de laboratório, enquanto saía cabisbaixo do sótão seguido silenciosamente pelo ratinho da Índia e o ratinho de estimação .
Os pais, apesar de perderem a pose com a escolha da filha, ficaram felizes por saber que a Ratinha Linda, terá sempre, boa vida, segurança , fartura e alegria com o seu jovem , previdente e romântico Ligeirinho.
Stela L. Siebeneichler
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
JORNAL DAS OFICINAS
Na próxima quinta-feira, dia 18, a partir das 18h30min haverá lançamento do Jornal das Oficinas da Fundação Cultural de Curitiba. A festa será no Palacete Wolff - Praça Garibaldi, 08.
O jornal traz os melhores trabalhos selecionados das oficinas de 2007. Stela Siebeneichler, participante da Oficina da Biblioteca da Rua da Cidadania do Pinheirinho, orientada pelo poeta Amarildo Anzolim foi selecionada.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
TEXTO-FONTE 2 - encontro 11
A FORMIGA E O FLOCO DE NEVE
Numa certa manhã de inverno uma formiga saía para o seu trabalho diário. Já ia longe procurar comida quando um floco de neve caiu, prendendo o seu pézinho. Aflita, vendo que ali poderia morrer de fome e frio, a formiga olhou para o Sol e pediu:
- Sol, tu que és tão forte, derreta a neve e desprenda o meu pézinho?E o Sol, indiferente, respondeu:
- Mais forte que eu é o muro que me tapa. Então a pobre formiguinha disse:
- Muro, tu que és tão forte, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pezinho? E o muro rapidamente respondeu:
- Mais forte que eu é o rato, que me rói A formiga, quase sem fôlego, perguntou:
- Rato, tu que és tão forte, que rói o muro, que tapa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho? E o rato falou bem rápido:
- Mais forte que eu é o gato que me come. A formiga então perguntou ao gato:
- Tu que és tão forte, que come o rato, que rói o muro, que tapa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho? O gato responde sem demora:
- Mais forte que eu é o cão, que me persegue. A formiguinha estava cansada e, mesmo assim, perguntou ao cão:
- Tu que és tão forte, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tapa o Sol, que derrete a neve, desprende o meu pézinho?
- Mais forte que eu é o homem, que me bate. Pobre formiga! Quase sem força, perguntou ao homem:
- Tu que és tão forte, que bate no cão, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tapa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho? O homem olhou para a formiga e respondeu: - Mais forte do que eu é a Morte que me mata. Trêmula de medo, olhando para a Morte que se aproximava, a pobre formiguinha suplicou:
- Ó Morte, tu que és tão forte, que matas o homem, que bate no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro, que tapa o sol que derrete a neve, desprende meu pezinho.E a Morte, impassível, respondeu:
- Mais forte do que eu é Deus, que me governa. Quase morrendo, então a formiguinha rezou baixinho:
- Meu Deus, tu que és tão forte, que governas a morte, que mata o homem que bate no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro, que tapa o sol que derrete a neve, desprende meu pezinho. E Deus, que ouve todas as preces pediu à primavera que chegasse com seu carro dourado triunfal enchendo de flores os campos e de luz os caminhos, e vendo que a formiga estava quase morrendo, levou-a para um lugar onde não há inverno e nem verão e onde as flores permanecem para sempre.
TEXTO-FONTE 1 - encontro 11
O CASAMENTO DA RATINHA
Fábula japonesa recontada por Lúcia Pimentel
No telhado de uma velha casa morava um casal de ratinhos. Eram pais orgulhosos de uma filha linda. O tempo passava e ela ficava sempre mais bonita até tornar-se a mais formosa e gentil ratinha daquelas redondezas. Seus pais tinham a certeza de não haver nenhuma outra tão linda.
Certo dia Papai Rato comentou com Mamãe Rata
-Não acha que chegou para nossa filha a idade de casar?
- Sim, é verdade, mas com quem ?
Papai Rato coçou a cabeça.
- Ela é tão bonita que será lamentável escolher um simples rato para seu marido. Penso que devemos procurar alguém que seja o mais PODEROSO DO MUNDO.
- Quem será esse ser Poderoso ?
Fiicaram os dois pensando.
Cansados de tanto pensar sem chegar a nenhuma solução, resolveram pedir um conselho ao Vovô Rato:
- Vovô Rato, o senhor é tão sábio! Pode nos ajudar? Então nos diga, quem é o alguém mais Importante e Poderoso deste mundo?
Vovô pensou um pouco, tossiu uma vez e disse:
- Vocês não sabem ? Ora, ora é o Senhor Sol. Sem ele não se tem luz! Com o mundo mergulhado na escuridão, ninguém faz nada. Portanto, ele é o mais importante.
- Viva,! Descobrimos o tão Poderoso! - falou alegremente Papai Rato. – Vamos logo procurá-lo e saber se pode casar com a nossa filhinha.
A Mamãe Rata também ficou entusiasmada. E levando a filha, saíram para falar com o SOL.
Ele brilhava despreocupado, jogando seus raios para todos os lados.
- Senhor SOL, o mais poderoso deste mundo, a nossa filha é a ratinha mais linda que existe. Teríamos muito gosto se o Senhor se casasse com ela.
O Sol, sorrindo, respondeu:
- Agradeço e fico muito honrado. Porém aviso que não sou o mais Poderoso deste mundo, nem o mais Importante.
Os ratinhos ficaram espantadíssimos.
- Por que? Será outro o mais Importante?
- Claro, ilumino a Terra, mas por mais que eu brilhe com todas as minhas forças, se aparecer o Senhor NUVEM, e me esconder, nada posso fazer. Assim, ele é o mais Poderoso!
Eles saíram à procura do Senhor NUVEM. Ele pairava no céu, embalado pela calma de seu sono da tarde.
- Boa-tarde, Senhor. Ficamos sabendo que é o mais Poderoso do mundo, portanto ficaríamos muito honrados se casasse com nossa filha. Olha só como é linda!
Abrindo lentamente os olhos, com voz sonolenta, ele falou:
- Realmente, ela é muito linda. Agradeço, mas não sou o mais Poderoso.
- Como ? Não e o mais ? Quem pode ser, então ?
- Pois eu me espalho por ai, entretanto se aparecer o Senhor VENTO, me carrega pra bem longe e eu fico sem ação. Por isso ele é o mais Poderoso.
Convencidos, os ratinhos sem demora foram em busca do Senhor VENTO. Foi encontrado soprando de leve os galhos das árvores. Estes balançavam, fazendo cair pelo chão uma chuva de folhas secas.
- Senhor VENTO! Sabemos ser o Senhor o mais Poderoso do mundo! Poderia casar-se com a nossa filha?
O VENTO interrompeu seu sopro leve de fazer chuva de folha seca:
- Fico feliz com a proposta, mas há um leve engano. Não sou o mais Poderoso do mundo.
- Não ?Então outro é mais Poderoso ainda que o Senhor?
- Sim, sim. Trata-se do Senhor MURO-DURO. Pois, por mais que eu sopre, não se mexe um tiquinho.
Mais que depressa eles voltaram para casa. Pararam em frente ao MURO-DURO.
- Senhor MURO-DURO, o mais Poderoso do mundo! O senhor há muito conhece nossa filha. Sabendo o quanto ela é bela não gostaria de casar com ela?
- é uma grande honra. Preciso, porém, dizer que existe alguém mais Poderoso ainda neste mundo, que não eu.
- Mais Poderoso ainda? – o casal de ratinhos, olhos arregalados, perguntou:
- Por favor, diga logo quem é?
- São, meus amigos, são...são os RATINHOS.
Eles estavam de rabo caído e boca aberta de espanto.
- Claro, por mais que eu fique firme e resista, nada posso fazer para enfrentar os terríveis dentinhos de um rato.Seus dentinhos afiados vencem sempre.
Tem toda razão! Como não percebemos isto antes ? Quem diria, nós, os Ratos, somos os mais Poderosos do mundo!
O casal, muito feliz, não demorou em conseguir, finalmente, um noivo digno para a filha. Um jovem RATINHO do telhado vizinho.
E assim, todos os ratinhos da redondeza foram convidados a comparecerem ao castelo.Eles comeram, beberam e cantaram felizes ate tarde da noite para comemorarem o casamento da mais linda ratinha.
Festa nunca esquecida, sempre comentada e recordada.
O jovem casal, acreditando ser o mais PODEROSO e o mais IMPORTANTE do MUNDO, viveu feliz, teve muitas ninhadas, por muito, muito tempo...
Fábula japonesa recontada por Lúcia Pimentel
No telhado de uma velha casa morava um casal de ratinhos. Eram pais orgulhosos de uma filha linda. O tempo passava e ela ficava sempre mais bonita até tornar-se a mais formosa e gentil ratinha daquelas redondezas. Seus pais tinham a certeza de não haver nenhuma outra tão linda.
Certo dia Papai Rato comentou com Mamãe Rata
-Não acha que chegou para nossa filha a idade de casar?
- Sim, é verdade, mas com quem ?
Papai Rato coçou a cabeça.
- Ela é tão bonita que será lamentável escolher um simples rato para seu marido. Penso que devemos procurar alguém que seja o mais PODEROSO DO MUNDO.
- Quem será esse ser Poderoso ?
Fiicaram os dois pensando.
Cansados de tanto pensar sem chegar a nenhuma solução, resolveram pedir um conselho ao Vovô Rato:
- Vovô Rato, o senhor é tão sábio! Pode nos ajudar? Então nos diga, quem é o alguém mais Importante e Poderoso deste mundo?
Vovô pensou um pouco, tossiu uma vez e disse:
- Vocês não sabem ? Ora, ora é o Senhor Sol. Sem ele não se tem luz! Com o mundo mergulhado na escuridão, ninguém faz nada. Portanto, ele é o mais importante.
- Viva,! Descobrimos o tão Poderoso! - falou alegremente Papai Rato. – Vamos logo procurá-lo e saber se pode casar com a nossa filhinha.
A Mamãe Rata também ficou entusiasmada. E levando a filha, saíram para falar com o SOL.
Ele brilhava despreocupado, jogando seus raios para todos os lados.
- Senhor SOL, o mais poderoso deste mundo, a nossa filha é a ratinha mais linda que existe. Teríamos muito gosto se o Senhor se casasse com ela.
O Sol, sorrindo, respondeu:
- Agradeço e fico muito honrado. Porém aviso que não sou o mais Poderoso deste mundo, nem o mais Importante.
Os ratinhos ficaram espantadíssimos.
- Por que? Será outro o mais Importante?
- Claro, ilumino a Terra, mas por mais que eu brilhe com todas as minhas forças, se aparecer o Senhor NUVEM, e me esconder, nada posso fazer. Assim, ele é o mais Poderoso!
Eles saíram à procura do Senhor NUVEM. Ele pairava no céu, embalado pela calma de seu sono da tarde.
- Boa-tarde, Senhor. Ficamos sabendo que é o mais Poderoso do mundo, portanto ficaríamos muito honrados se casasse com nossa filha. Olha só como é linda!
Abrindo lentamente os olhos, com voz sonolenta, ele falou:
- Realmente, ela é muito linda. Agradeço, mas não sou o mais Poderoso.
- Como ? Não e o mais ? Quem pode ser, então ?
- Pois eu me espalho por ai, entretanto se aparecer o Senhor VENTO, me carrega pra bem longe e eu fico sem ação. Por isso ele é o mais Poderoso.
Convencidos, os ratinhos sem demora foram em busca do Senhor VENTO. Foi encontrado soprando de leve os galhos das árvores. Estes balançavam, fazendo cair pelo chão uma chuva de folhas secas.
- Senhor VENTO! Sabemos ser o Senhor o mais Poderoso do mundo! Poderia casar-se com a nossa filha?
O VENTO interrompeu seu sopro leve de fazer chuva de folha seca:
- Fico feliz com a proposta, mas há um leve engano. Não sou o mais Poderoso do mundo.
- Não ?Então outro é mais Poderoso ainda que o Senhor?
- Sim, sim. Trata-se do Senhor MURO-DURO. Pois, por mais que eu sopre, não se mexe um tiquinho.
Mais que depressa eles voltaram para casa. Pararam em frente ao MURO-DURO.
- Senhor MURO-DURO, o mais Poderoso do mundo! O senhor há muito conhece nossa filha. Sabendo o quanto ela é bela não gostaria de casar com ela?
- é uma grande honra. Preciso, porém, dizer que existe alguém mais Poderoso ainda neste mundo, que não eu.
- Mais Poderoso ainda? – o casal de ratinhos, olhos arregalados, perguntou:
- Por favor, diga logo quem é?
- São, meus amigos, são...são os RATINHOS.
Eles estavam de rabo caído e boca aberta de espanto.
- Claro, por mais que eu fique firme e resista, nada posso fazer para enfrentar os terríveis dentinhos de um rato.Seus dentinhos afiados vencem sempre.
Tem toda razão! Como não percebemos isto antes ? Quem diria, nós, os Ratos, somos os mais Poderosos do mundo!
O casal, muito feliz, não demorou em conseguir, finalmente, um noivo digno para a filha. Um jovem RATINHO do telhado vizinho.
E assim, todos os ratinhos da redondeza foram convidados a comparecerem ao castelo.Eles comeram, beberam e cantaram felizes ate tarde da noite para comemorarem o casamento da mais linda ratinha.
Festa nunca esquecida, sempre comentada e recordada.
O jovem casal, acreditando ser o mais PODEROSO e o mais IMPORTANTE do MUNDO, viveu feliz, teve muitas ninhadas, por muito, muito tempo...
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